Desatinos

O Desatino do nome vem balancear o Tino que nós, em geral, somos obrigados a ter em nosso trabalho, em nossos compromissos, enfim, em nossa vida. Convidamos quem quiser, que venha desatinar conosco, dando palpites e sugestões, acompanhando-nos em nossos desatinos pela vida. A vida é uma eterna encruzilhada entre o tino e o desatino, as vezes agente tem que fazer tal qual a moça da música do Chico Buarque:

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando ...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

17 e 18 Dez 2009 - Salamanca (Espanha)

17-12-2009 Salamanca
Deixamos Coimbra no final da tarde e as 6 horas de viagem de trem até Salamanca foi cansativa mas estávamos animados, com sorte ficamos sozinhos num coche (cabine), o que nos permitiu ficar a vontade, ler, tirar uma soneca e mesmo tocar um violãzinho com direito a um lanchinho de queijo de cabra com vinho.
Salamanca entrou na nossa vida, inicialmente por ser um ponto intermediário entre Aveiro- Portugal e Bilbao-Espanha, pois achamos muito cansativo viajar aproximadamente 12 horas ininterruptas. Sorte a nossa! Salamanca é um lugar imperdível e deveria fazer parte do roteiro de todos que querem conhecer a Espanha.
Chegamos a 1 hora da madrugada, e nosso hotel, ao canto da Plaza Mayor – uma praça cercada fechada por construções - estava bem localizado. Resolvemos sair para não perder o costume de beber algo antes de dormir. Logo na praça, encontramos muitas pessoas a caminhar, decidimos seguir o fluxo daqueles “zumbis” (vestidos de preto que apareciam e desapareciam em meio a uma neblina sombria). Encontramos ruas abaixo, uma série de bares bem interessantes. Uma característica de Salamanca e de outras cidades européias é que as pessoas podem entrar em vários bares numa noite, visto não ser cobrado taxa de entrada. Percorremos vários bares tomando uma cerveja em cada, até encontramos um onde uma banda tocava jazz de primeira qualidade. Como se diz aqui, nos quedamos neste. Num dos cantos do bar havia uma grande caixa com amendoins de casca que podiam ser pegos à vontade, e o interessante é que as cascas completavam a decoração, pois iam sendo espalhadas por todo o chão e mesas, só depois descobrimos o motivo desta sujeira toda.
Dormimos às 4 da matina e acordamos as 11 horas para começar nosso roteiro cultural, confesso que não é fácil conciliar boemia e cultura, mas estamos tentando.
Descobrimos que Salamanca é uma das cidades espanholas mais ricas em monumentos da Idade Média, do Renascimento e das épocas clássica e barroca. Catedrais como: Palácio de La Salina, o Palácio de Anaya, o Palácio de Monterrey, a Casa das Conchas, o Convento das Dueñas e a Torre do Clavero são incríveis dada a suas respectivas magnitude e imponência sustentada por grandes blocos de pedra de cor ocre. O Museu Universitário e o Museu das Dueñas são outras referências culturais da cidade.
Percebe-se que atual vida quotidiana de Salamanca é influenciada pela universidade, na alegria cosmopolita e poliglota dos seus visitantes. A título de informação a cidade foi escolhida para Capital Européia da Cultura em 2002, sendo o seu centro histórico Patrimonio da Humanidade desde 1988.
Percorremos os vários monumentos da cidade de forma relativamente fácil dada a sua proximidade, embora o frio de 4 graus negativos não ajudasse muito. Num momento de relax decidimos beber um vinho e escolhemos um bar chamado Trasteiro, lá conhecemos um brasileiro oriundo de Roraima, formado em Antropologia que veio para a cidade fazer doutorado e decidiu ficar por estas bandas. Pedro, era seu nome e mostrou-se uma pessoa vivaz, inteligente e muito agradável. Durante nossa longa conversa comentamos nossa estranheza ao constatar que em todos os bares o chão fica repleto de sujeira, papéis, bitucas, guardanapos, etc, enquanto as ruas eram limpíssimas ... uma contradição. Não sabíamos, mas ele tinha a resposta: é cultural... as pessoas preferem os bares que têm o chão sujo pois associam isto à sua procura e, que decorre de sua qualidade. Rsrsrsr. O mais interessante ainda estava por vir, Pedro nos explicou que é o mesmo principio da saudação que se faz no teatro ao desejar sucesso aos atores: MERDA, e mais ainda, esclareceu que a origem desta saudação vem da forma como as pessoas constatavam o sucesso, ou não, de uma peça... olhando o nível das latrinas nos banheiros. Ou seja, se as latrinas estavam cheias, significava que muitas pessoas haviam assistido a peça e tratava-se de uma bom programa. Vivendo e aprendendo, sim... aliás vivenciar pequenos detalhes numa viagem por outros países é, na minha visão, um prazer inenarrável. As particularidades dos povos são uma riqueza. Um exemplo disto foi nossa conversa o dono de uma lavanderia onde deixamos a roupa para lavar, que nos informou que fechava sua loja às 13:00 h e voltava a abrir às 17:00 h. Hora da siesta. Um coisa desta é inimaginável para nós.
A noite de sexta-feira mostrou-se mais animada do que a anterior e nossa peregrinação pelos bares foi mais ampla, desta vez, após jantarmos em uma taverna aconchegante, onde comemos uma pasta com roquefor e um delicioso vinho, passarmos por uns três ou quatro points, e nos quedamos num bar chamado Ohara's, onde a clientela muito animada aparentemente vinha de todas as partes do mundo, pois varias línguas e sotaques se revezavam ora mais alto, ora mais baixo, uma verdadeira torre de babel. Quanto à música, o bom e velho Rock Inglês reinava absoluto. Ao sairmos, já de madrugada, decidimos filmar o intenso movimento da Plaza Mayor. Foi a nossa perdição! Fizemos amizade com um animado grupo de alemães que nos carregou para um pub literalmente infernal. Um dos alemães, muito louco, me abraçava e dizia: “Meine Freund, meine grosse Freund, Salamanca ist fast gute als Muenchen” – Meu amigo, meu amigo, Salamanca é quase tão bom quanto Munique. Logicamente Munique era a terra dele, e as duas cidades são magníficas. Deíxamos os mais novos amigos as 4 de La matina pois tínhamos que pegar o trem as 10:30 h, e o tínhamos cai perfeitamente na frase pois acordamos as 11:00h e, como um GPS, começamos a reprogramar a rota. Por sorte encontramos um ônibus que saia às 14:45 h para Bilbao.
A viagem de ônibus,embora não permita a mobilidade interna que o trem dá, mostrou-se uma ótima opção, pois é mais barata e menos cansativa, dado o conforto das poltronas reclináveis. Passamos por Valladolid e Burgos encobertos por neve e sob temperaturas baixíssimas, e uma paisagem encantadora, onde o chão branco contrastava com o pôr-do-sol avermelhado. Chegamos a Bilbao as 21:00 h.
Na estação fomos orientados a pegar um Trambia (espécie de bonde moderno) que nos deixou próxima ao nosso hotel. Como sempre, largamos as coisas e descemos em direção ao Casco Velho, região central e velha da cidade.
A região é um grande boulevard repleto de bares e restaurantes.


Um comentário:

  1. essa da merda foi ótima!
    aliás o blog está muito bom... coloquei o link lá no meu.
    beijão

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