Dia 17 dez 2009 – quinta-feira
Estamos na estação de Coimbra à espera do combio à Salamanca. Acordamos arrumando as malas, enquanto ouvíamos o espremedor de frutas da Jussara “ à expremeire um suco de laranja”. O dia amanheceu chuvoso e frio. Partimos rumo à Salamanca na Espanha com parada de 5 horas em Coimbra.
Coimbra caiu em nosso colo de presente quando resolvemos mudar a rota visto que inicialmente havíamos nos programado para subir até o Porto e de lá, cruzar a Espanha. Acabou sendo uma bela surpresa, e o que seria apenas um entreposto, transformou-se numa bela tarde de outono.
A cidade de Coimbra se ajeita em volta do rio Mondego e é formada por antigas construções, vielas que lembram Alfama e ladeiras, muitas ladeiras.
É impossível falar da cidade sem discorrer sobre a Universidade de Coimbra que foi construída pelos mouros – eles de novo - por volta do século X. Os vários prédios ficam num ponto alto da encosta e, a principio serviam como fortaleza dada a sua posição estratégica. Posteriormente passou a abrigar os monarcas, tendo sido a primeira residência real em Portugal. Em 1537 tornou Universidade, sendo a terceira mais velha do mundo. O prédio tem formato “U” e é repleto de esculturas que simbolizam as diferentes ciências.
Fizemos uma visita à magnífica Biblioteca Joanina, dita a mais famosa do mundo, que está disposta em 3 salões interligados em estilo barroco, tendo o teto repleto de pinturas em perspectivas. Conta com mais de 30 mil livros e com mais 5 mil manuscritos muitos destes de valor inestimável e perfeitamente preservados visto ser um tipo de caixa forte. Aliás, a maneira como os raros exemplares são preservados é no mínimo peculiar: Suas paredes têm mais de 2 metros de espessura o que mantém temperatura e umidade estáveis; O carvalho que reveste móveis e paredes tem a característica de ser extremamente denso impedindo a ação dos papirógrafos – inseto que se alimenta de papel -, além disto, esta madeira naturalmente expele um odor que os repele. Os livros contam ainda com mais uma aliado no combate diário pela conservação, no interior deste templo de livros habita uma colônia de morcegos que sai a noite para se alimentar dos insetos que tentam atacar os livros.
Outra construção interessante, a Capela de São Miguel (replica miniatura e primitiva da basílica de Santiago de Compostela, foi erguida no século XVI e mistura estilos barroco e renascentista. Suas paredes laterais são revestidas de azulejo tipo tapete e os altares laterais, em madeira revestidos de ouro. Destaca-se em seu interior um magnífico órgão barroco, com seus mais de 3 mil tubos, e que funciona ate hoje quando realizam concertos de música sacra na capela. Confesso que tive dificuldade em localizar o instrumento imaginando-o algo do tamanho de um piano, qual não foi a minha surpresa ao me deparar com um algo de mais de 3 metros de altura e repleto de ornamentos.
O clima de final de período letivo era latente nos estudantes, e contagiados tocamos um violãozinho numa das escadarias da universidade, lembrando nossos tempos de universitários.
Saindo da Universidade passeamos pelas estreitas ruas em direção à margem do rio, passamos pelo Arco Torre de Almeidinha que foi uma parte das muralhas mourisca durante o período medieval e que é, hoje, a principal entrada para a parte alta da cidade.
A chegada à margem do rio foi brindada com alguns Imperiais enquanto assistíamos perplexos um final de tarde dourado.
Deixamos Portugal, em direção à Espanha, com um aperto no coração e uma sensação de quero mais.
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