Desatinos

O Desatino do nome vem balancear o Tino que nós, em geral, somos obrigados a ter em nosso trabalho, em nossos compromissos, enfim, em nossa vida. Convidamos quem quiser, que venha desatinar conosco, dando palpites e sugestões, acompanhando-nos em nossos desatinos pela vida. A vida é uma eterna encruzilhada entre o tino e o desatino, as vezes agente tem que fazer tal qual a moça da música do Chico Buarque:

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando ...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Final de Semana - 23 e 24 Janeiro

Na sexta começamos o final de semana com um filme françês "Um Segredo em Família" no espaço Unibanco.


titulo original: (Un Secret)
lançamento: 2007 (França) (Alemanha)
direção: Claude Miller
atores: Cécile de France , Patrick Bruel , Ludivine Sagnier , Julie Depardieu , Nathalie Boutefeu

Pouco após a Segunda Guerra Mundial, François Grimbert (Valentin Vigout/ Mathieu Amalric), um menino de sete anos, vive no seio de uma família judia na França. Sob a aparente convivência tranquila, reina o não-dito, e o garoto solitário inventa para si um irmão e imagina o passado dos seus pais. No seu aniversário de 15 anos, François descobre um terrível segredo: seus pais eram cunhados. Os dois tentaram ignorar a paixão proibida, mas, com as reviravoltas da história e a deportação dos judeus, tiveram de confrontar seus sentimentos.

Saindo de lá tomamos um choppinho no Athenas Café, na Augusta, 1449, local transado com chopp Brahma geladíssimo delicioso, se passarem por lá experimentem o musaká, mas fujam do bolinho de carne. Fomos então assistir à peça "A Alguma Margem, no rio" no Sesc Paulista.




Em Alguma Margem, no Rio

Um sertanejo segue pelo rio com sua canoa, até que ela fica presa num tronco de árvore, obrigando-o a pensar na própria vida, no próprio destino. A direção é de Jairo Mattos. (Drama)
Direção: Jairo Mattos
Com: Paulo Barcellos
Duração: 50 minutos
Classificação: 14 anos
Texto: Viviane Dias



O texto, de Viviane Dias e Paulo Barcellos, se inspira na obra de Guimarães Rosa, contando a história de um homem que está em uma canoa, descendo o rio, mas sua embarcação se prende a um tronco. Já delirando com o forte sol do sertão, o herói vê esse tronco transformar-se em uma espécie de esfinge que reflete o seu rosto: e aceita suas condições: contar a sua história como forma de continuar a viagem. No processo, revive o amor de Juçara, o ódio por Jacinto, sua traição, a perda do filho, o retorno a seu lugar de origem, a descoberta do "velho", uma fonte de sabedoria impessoal dentro de si que nunca imaginou possuir.

E fechamos a noite com Croques e um vinho Casileiro del Diablo, no La Tartine. Restaurante françês charmoso na Fernando de Albuquerque, mas sempre com fila, apesar que a espera também é agradavél no andar superior sempre descontraído.

No sábado, após nos deliciarmos com a galinhada com piqui no aniversário da Vinha, escolhemos de sopetão a peça "Sonho de um Homem Ridículo" e a surpresa foi agradabilíssima. IMPERDÍVEL . No teatro Ágora.

Adaptação de Celso Frateschi para o conto de Fiódor Dostoievski (1821-1881). Frateschi protagoniza um monólogo dramático. Iluminação, cenário e trilha sonora parecem confluir para a reprodução de uma São Petersburgo sombria e ameaçadora, o lar de um infeliz funcionário público. Certa noite, depois de quase levar a cabo a ideia de se matar, o homem tem um sonho. Nele, viaja a uma espécie de paraíso e lá acaba semeando a discórdia e a corrupção moral entre as criaturas. Direção de Roberto



A peça nos insipirou em assuntos filosóficos pela noite afora. E escolhemos discutí-la tomando um vinho no Papo e Petiscos da Praça Roosevelt. Desde que voltamos de viagem ainda não tínhamos voltado lá, e na esperança de que o acontecido com o Bortoloto no espaço Parlapatoes não tívesse deixado aquele cantinho da cidade mais vazio, nos deparamos com uma atitute infeliz da prefeitura que proibiu as mesinhas nas calçadas, conversando com o casal donos da tabacaria que estão lá desde 68, soubemos que foi uma solicitação da vizinhança, que ironicamente pode contribuir para que o local mais vazio fique mais suscetível à violência.

No Domingo fomos de manhã no Ibirapuera ao Sarau Poiesis (Organização Social de Cultura) da Casa das Rosas, na praça da Paz, em homenagem ao aniversário da cidade.
Tivemos a oportunidade de conhecer o coletivo Poesias Malouqueirista e as Encantadeiras. Grupo que se iniciou a partir do encontro de poetas urbanos, apresentam intervenções poéticas, performances e manifestações da cultura afrobrasileira.
E as encantandeiras mostraram o talendo com uma voz suave acompanhado de uma percursão leve e agradável.

Conhecemos o projeto da Casa das Rosas - Cores e Cantos da Poesia em São Paulo, que como o proprio nome diz, leva poesia a vários cantos da cidade por áreas carentes de literatura.
E como que para brindar e marcar seu aniversário, voltamos praticamente cantando na chuva torrencial e paulista que caía pelo parque.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

06 e 07-01-2010 Bruxelas

Atominum, varios monumentos e muito frio e neve... lembramos do samba da Martinalia - Andar de madrugada feito traça, feito barata, cobertos de neve....

04 e 05 -01-2010 Praga

Cidade encantadora e deslubrante...Nevando e muito frio

03-01-2010 La Fontaine, eifel, Marais

Ultimo dia em Paris, rodada geral para ficar na memoria....

02-01-2009 Notre Dame, Pantheon, Sorbone

Novamente, dia de caminhada... Visitamos Notre Daime, Sorbone e Pantheon, na parada para uma cerveja fizemos amizade com Gregorio, um bombeiro frances e demos muitas risadas... final da noite assistimos uma banda de jazz na Bastilha....

01-01-2010 Paris Central e Concerto de Musica Classica no Madaleine

Dia de ressaca... andamos pela região central de Paris, Museu D´Orsay, Praça da Concordia, Jardim das Tertulias e assistir um belo concerto de violinos na Igreja de Madeleine....

31-12-2009 Galeria Lafaiete e la defense e revelion brasileiro

Dia eclético; começamos na refinada galeria Lafaiete, fomos para o arco La Defense, comemos no Latin Quartier e passamos o Revellion na Zona Leste de Paris, dançando Jorge Ben e Seu Jorge....

30-12-2009 Igreja do Sagrado Coração, Moulin Rouge

CAminhamos pelo lado Nordeste de Paris passando por Igreja do Sagrado Coração, Moulin Rouge, etc. Circuito boemio...

29-12-2009 Paris - Região Central

Igreja Eustaquio, des Halles, Pompidou, Praça des Vosges, Museu Carnavalesco, com cuscus marroquino no Latin Quatier....

28-12-2009 Paris - Montparnasse com roteiro a pé

Andamos como gente grande.... horas caminhando por Montparnasse,lapide do sartre, jardins de Luxemburgo, Museu das Armas, Torre Eifel, etc....

27-12-2009 chegada a Paris

Chegada a Paris com direito a Champs Elysees, Arco do Trinfu, virando uma esquina na ponte das almas lá estava a Torre Eiffel toda iluminada, e terminamos a noite com jantar na Latin Quarter.
PARIS - DIA 01 (27/12/09)

25 e 26-12-2009 Lyon

Cidade grande com muitas coisas interessantes....

23 e 24-12-2009 Montpellier e Nimes

Começo da viagem pela França, viajando de trem, curso rapido de frances para sobrevivencia... aguardem hstorias para rir....

21e 22-12-2009 - Barcelona

Barcelona, cidade de Gaudi... rebuscada e eclética, depois colocamos nossa impressão sobre a cidade ....

domingo, 27 de dezembro de 2009

20-12-2009 - Zaragoza

Escolhemos Zaragoza como ponto intermediário devido estar a meio caminho da Barcelona. Seria possível fazer uma viagem direta Bilbao-Barcelona mas o cansaço destes muitos dias de viagem já se fazem presentes em nossos corpos, daí pareceu um boa opção.
Zaragoza é uma cidade grande com cara de cidade grande, nos sentimos como se estivéssemos em São Paulo: ruas movimentadas, muitos carros, etc. Pedimos informação a uma elegante senhora que quase nos deixou na porta do hotel. Ao sabermos que éramos brasileiros ela disse animada: “Las brasilenãs tienes ritmos”, e rebolava mostrando que queria dizer. Muito engraçado.
Chegamos à cidade por volta das 20:00 h e o Hotel Zaragoza Central localizado na Calle San Miguel na região central pareceu ser um boa opção em termos de preço, localização, limpeza e organização.
Saímos para jantar, depois de tantos dias viajando não tínhamos noção que era domingo e que a maioria dos restaurantes estavam fechados, após rodar um pouco achamos um onde podemos comer batatas assadas ao molho de queijo e lulas a milanesa.
A segunda feira amanheceu chuvosa mas não nos impediu de aventurar pela cidade, uma visita ao mercado municipal nos revelou algumas peculiaridades da Espanha: mariscos com formato de canudos, vários tipos de frutas, peixes e pasmem... o que mais nos deixou atônitos foi ver lebres e perdizes em pêlo e penas pendurados por ganchos nos açougues do mercado... ver pessoas manipulando o bichinhos, escolhendo um para a ceia de natal... sei que fazemos isto também com nossos frangos, mas o que nos incomodava era eles estarem com suas peles ou penas... bom, é uma questão cultural!
Fomos ver a parte histórica da cidade e descobrimos que Zaragoza foi dominada pelos romanos por muito tempo, pela cidade, muitos monumentos á Cesar Augutus, e uma bela catedral ricamente ornamentada. À frente da igreja, um presépio em tamanho real, sonorizado, ou seja com sons das pessoas falando, do ferreiro forjando ferraduras e animais como galinhas, burros, cabritos fazendo seus respectivos sons.
Quando estávamos na praça da igreja com aquela monumental escultura com água que ainda queremos descobrir o que significa, fomos interpelados por uma repórter da Tv Espanhola que queria informações de como tínhamos sido afetados pelo frio e neve do dia anterior, que parece ter sido acima do esperado, e então respondemos que para nós “turistas” tudo era festa, e nem havíamos dado conta da gravidade da situação.
Dentro da igreja, uma coisa nos chamou a atenção: como a igreja recolhe donativos... Nas igrejas da Espanha existem as velas eletrônicas que são grandes dispositivos repletos de cilindros brancos similares à velas com uma pequena luz no topo. Quando se põe uma moeda, a velinha pisca para mostrar ao doador que é sua respectiva vela que está acendendo. O tempo que a vela vai ficar ligada tem ligação direta com o valor da moeda que se coloca. Uma moedinha de 5 centavos, pouco tempo, já uma moeda de dois Euros – provavelmente para um grande pecador arrependido – deve ficar deixar acessa a velinha por umas duas horas. Genial a idéia! Ficamos viciados em colocar moedinhas e ver velinhas acender!!!!
Visitamos outros monumentos da cidade, a maioria muito bonita e nos encaminhamos para a Rodoviária tomar um ônibus rumo a Barcelona, estávamos com sorte... compramos um tíquete para um ônibus que sairia em 3 minutos, lá fomos nós correndo em direção á plataforma 31.
Subimos e o confortável ônibus saiu.....Estrada novamente, desta vez sem paradas até Barcelona.


sábado, 26 de dezembro de 2009

19 Dez 2009 - Bilbao (Espanha)

Na estação fomos orientados a pegar um Tramvia (espécie de bonde moderno) que nos deixou próxima ao nosso hotel. Como sempre, largamos as coisas e descemos em direção ao Casco Velho, região central e velha da cidade.
O casco velho é a região mais antiga da cidade, mas não tem nada de tradicional. Suas ruas, acessíveis apenas para pedestres são repleta de bares, pubs e restaurantes onde pessoas de todas as idades convivem harmonicamente. Era comum encontrar grupos de pessoas de 50 a 60 anos dentro dos bares e restaurantes, assim como jovens lotando os vários Pubs. A região é bem movimentada e apesar de sua iluminação tênue, não parece ser um lugar inseguro. Pelas ruas, uma animada bandinha - provavelmente composta por amigos- tocava marchinhas alegres, parando de bar em bar, e animando as pessoas. Muito legal.
Andamos pelas ruas para reconhecer o terreno e decidimos jantar num dos vários restaurantes da cidade. Estávamos cansados de comer as famosas tapas espanholas – uma espécie de brusqueta – e escolhemos um entreposto – contra-file – com batatas. Tomamos o Vinho Chobeo de La Pecinã – Rioja – que estava excelente, aliás foi o melhor da viagem até o momento... não podemos esquecer que a França nos aguarda....
Boa comida, muita conversa e repostas as energias, nos encaminhamos para os Pub com o intuito de conhecer a vida noturna da cidade. Tomamos algumas canãs de cerveza num Pub, onde se tocava um bom rock e onde algumas pessoas jogavam dardos. Noite tranqüila, sem grandes aventuras.


Pela manhãna, acordamos cedo, fomos a estação de ônibus, deixamos nossas malas lá, compramos os bilhetes para a viagem até Zaragoza, que seria nosso próximo destino e fomos conhecer Bilbao.
De Tramvia – bonde – para uma estação antes do Guggenheim para poder apreciar sua arquitetura de longe. Faltam palavras para descrever aquela bela obra arquitetônica, do lado de fora muitas pessoas a apreciar as suas placas de titânio e suas formas esculturais.
Projetado pelo arquiteto Frank Gehry, é um marco no avanço da arquitetura moderna. Composto por uma serie de volumes interconectados, ora de pedra, ora de vidro, e ora de placas de titânio (que lembra escamas de peixe)
Após percorrer todo o perímetro externo entramos no museu onde uma enorme instalação artística composta de placas metálicas de 5 ou 6 metros de altura e muitos metros de comprimento permitiam que os visitantes caminhassem tal qual estivessem num labirinto. O ferrugem das placas de aço dava-lhes uma textura quase amadeirada e a sensação produzida era incrível.
Dentro do Museu varias explicações sobre o processo de concepção do museu com entrevistas de Frank Guery e detalhes da equipe que o projetou. O primeiro andar do edifício é todo dedicado à sua concepção, dada sua importância arquitetônica.

Após o Gugem, caminhamos pela parte moderna da cidade, comemos um lanche e nos dirigimos a rodoviária para uma viagem de ônibus Bilbao- Zaragoza. Pelas janelas do ônibus, belas paisagens e mais neve.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

17 e 18 Dez 2009 - Salamanca (Espanha)

17-12-2009 Salamanca
Deixamos Coimbra no final da tarde e as 6 horas de viagem de trem até Salamanca foi cansativa mas estávamos animados, com sorte ficamos sozinhos num coche (cabine), o que nos permitiu ficar a vontade, ler, tirar uma soneca e mesmo tocar um violãzinho com direito a um lanchinho de queijo de cabra com vinho.
Salamanca entrou na nossa vida, inicialmente por ser um ponto intermediário entre Aveiro- Portugal e Bilbao-Espanha, pois achamos muito cansativo viajar aproximadamente 12 horas ininterruptas. Sorte a nossa! Salamanca é um lugar imperdível e deveria fazer parte do roteiro de todos que querem conhecer a Espanha.
Chegamos a 1 hora da madrugada, e nosso hotel, ao canto da Plaza Mayor – uma praça cercada fechada por construções - estava bem localizado. Resolvemos sair para não perder o costume de beber algo antes de dormir. Logo na praça, encontramos muitas pessoas a caminhar, decidimos seguir o fluxo daqueles “zumbis” (vestidos de preto que apareciam e desapareciam em meio a uma neblina sombria). Encontramos ruas abaixo, uma série de bares bem interessantes. Uma característica de Salamanca e de outras cidades européias é que as pessoas podem entrar em vários bares numa noite, visto não ser cobrado taxa de entrada. Percorremos vários bares tomando uma cerveja em cada, até encontramos um onde uma banda tocava jazz de primeira qualidade. Como se diz aqui, nos quedamos neste. Num dos cantos do bar havia uma grande caixa com amendoins de casca que podiam ser pegos à vontade, e o interessante é que as cascas completavam a decoração, pois iam sendo espalhadas por todo o chão e mesas, só depois descobrimos o motivo desta sujeira toda.
Dormimos às 4 da matina e acordamos as 11 horas para começar nosso roteiro cultural, confesso que não é fácil conciliar boemia e cultura, mas estamos tentando.
Descobrimos que Salamanca é uma das cidades espanholas mais ricas em monumentos da Idade Média, do Renascimento e das épocas clássica e barroca. Catedrais como: Palácio de La Salina, o Palácio de Anaya, o Palácio de Monterrey, a Casa das Conchas, o Convento das Dueñas e a Torre do Clavero são incríveis dada a suas respectivas magnitude e imponência sustentada por grandes blocos de pedra de cor ocre. O Museu Universitário e o Museu das Dueñas são outras referências culturais da cidade.
Percebe-se que atual vida quotidiana de Salamanca é influenciada pela universidade, na alegria cosmopolita e poliglota dos seus visitantes. A título de informação a cidade foi escolhida para Capital Européia da Cultura em 2002, sendo o seu centro histórico Patrimonio da Humanidade desde 1988.
Percorremos os vários monumentos da cidade de forma relativamente fácil dada a sua proximidade, embora o frio de 4 graus negativos não ajudasse muito. Num momento de relax decidimos beber um vinho e escolhemos um bar chamado Trasteiro, lá conhecemos um brasileiro oriundo de Roraima, formado em Antropologia que veio para a cidade fazer doutorado e decidiu ficar por estas bandas. Pedro, era seu nome e mostrou-se uma pessoa vivaz, inteligente e muito agradável. Durante nossa longa conversa comentamos nossa estranheza ao constatar que em todos os bares o chão fica repleto de sujeira, papéis, bitucas, guardanapos, etc, enquanto as ruas eram limpíssimas ... uma contradição. Não sabíamos, mas ele tinha a resposta: é cultural... as pessoas preferem os bares que têm o chão sujo pois associam isto à sua procura e, que decorre de sua qualidade. Rsrsrsr. O mais interessante ainda estava por vir, Pedro nos explicou que é o mesmo principio da saudação que se faz no teatro ao desejar sucesso aos atores: MERDA, e mais ainda, esclareceu que a origem desta saudação vem da forma como as pessoas constatavam o sucesso, ou não, de uma peça... olhando o nível das latrinas nos banheiros. Ou seja, se as latrinas estavam cheias, significava que muitas pessoas haviam assistido a peça e tratava-se de uma bom programa. Vivendo e aprendendo, sim... aliás vivenciar pequenos detalhes numa viagem por outros países é, na minha visão, um prazer inenarrável. As particularidades dos povos são uma riqueza. Um exemplo disto foi nossa conversa o dono de uma lavanderia onde deixamos a roupa para lavar, que nos informou que fechava sua loja às 13:00 h e voltava a abrir às 17:00 h. Hora da siesta. Um coisa desta é inimaginável para nós.
A noite de sexta-feira mostrou-se mais animada do que a anterior e nossa peregrinação pelos bares foi mais ampla, desta vez, após jantarmos em uma taverna aconchegante, onde comemos uma pasta com roquefor e um delicioso vinho, passarmos por uns três ou quatro points, e nos quedamos num bar chamado Ohara's, onde a clientela muito animada aparentemente vinha de todas as partes do mundo, pois varias línguas e sotaques se revezavam ora mais alto, ora mais baixo, uma verdadeira torre de babel. Quanto à música, o bom e velho Rock Inglês reinava absoluto. Ao sairmos, já de madrugada, decidimos filmar o intenso movimento da Plaza Mayor. Foi a nossa perdição! Fizemos amizade com um animado grupo de alemães que nos carregou para um pub literalmente infernal. Um dos alemães, muito louco, me abraçava e dizia: “Meine Freund, meine grosse Freund, Salamanca ist fast gute als Muenchen” – Meu amigo, meu amigo, Salamanca é quase tão bom quanto Munique. Logicamente Munique era a terra dele, e as duas cidades são magníficas. Deíxamos os mais novos amigos as 4 de La matina pois tínhamos que pegar o trem as 10:30 h, e o tínhamos cai perfeitamente na frase pois acordamos as 11:00h e, como um GPS, começamos a reprogramar a rota. Por sorte encontramos um ônibus que saia às 14:45 h para Bilbao.
A viagem de ônibus,embora não permita a mobilidade interna que o trem dá, mostrou-se uma ótima opção, pois é mais barata e menos cansativa, dado o conforto das poltronas reclináveis. Passamos por Valladolid e Burgos encobertos por neve e sob temperaturas baixíssimas, e uma paisagem encantadora, onde o chão branco contrastava com o pôr-do-sol avermelhado. Chegamos a Bilbao as 21:00 h.
Na estação fomos orientados a pegar um Trambia (espécie de bonde moderno) que nos deixou próxima ao nosso hotel. Como sempre, largamos as coisas e descemos em direção ao Casco Velho, região central e velha da cidade.
A região é um grande boulevard repleto de bares e restaurantes.


domingo, 20 de dezembro de 2009

17 de dezembro 2009 - COIMBRA (DESPEDIDA DE PORTUGAL RUMO À ESPANHA)

Dia 17 dez 2009 – quinta-feira
Estamos na estação de Coimbra à espera do combio à Salamanca. Acordamos arrumando as malas, enquanto ouvíamos o espremedor de frutas da Jussara “ à expremeire um suco de laranja”. O dia amanheceu chuvoso e frio. Partimos rumo à Salamanca na Espanha com parada de 5 horas em Coimbra.
Coimbra caiu em nosso colo de presente quando resolvemos mudar a rota visto que inicialmente havíamos nos programado para subir até o Porto e de lá, cruzar a Espanha. Acabou sendo uma bela surpresa, e o que seria apenas um entreposto, transformou-se numa bela tarde de outono.
A cidade de Coimbra se ajeita em volta do rio Mondego e é formada por antigas construções, vielas que lembram Alfama e ladeiras, muitas ladeiras.
É impossível falar da cidade sem discorrer sobre a Universidade de Coimbra que foi construída pelos mouros – eles de novo - por volta do século X. Os vários prédios ficam num ponto alto da encosta e, a principio serviam como fortaleza dada a sua posição estratégica. Posteriormente passou a abrigar os monarcas, tendo sido a primeira residência real em Portugal. Em 1537 tornou Universidade, sendo a terceira mais velha do mundo. O prédio tem formato “U” e é repleto de esculturas que simbolizam as diferentes ciências.
Fizemos uma visita à magnífica Biblioteca Joanina, dita a mais famosa do mundo, que está disposta em 3 salões interligados em estilo barroco, tendo o teto repleto de pinturas em perspectivas. Conta com mais de 30 mil livros e com mais 5 mil manuscritos muitos destes de valor inestimável e perfeitamente preservados visto ser um tipo de caixa forte. Aliás, a maneira como os raros exemplares são preservados é no mínimo peculiar: Suas paredes têm mais de 2 metros de espessura o que mantém temperatura e umidade estáveis; O carvalho que reveste móveis e paredes tem a característica de ser extremamente denso impedindo a ação dos papirógrafos – inseto que se alimenta de papel -, além disto, esta madeira naturalmente expele um odor que os repele. Os livros contam ainda com mais uma aliado no combate diário pela conservação, no interior deste templo de livros habita uma colônia de morcegos que sai a noite para se alimentar dos insetos que tentam atacar os livros.
Outra construção interessante, a Capela de São Miguel (replica miniatura e primitiva da basílica de Santiago de Compostela, foi erguida no século XVI e mistura estilos barroco e renascentista. Suas paredes laterais são revestidas de azulejo tipo tapete e os altares laterais, em madeira revestidos de ouro. Destaca-se em seu interior um magnífico órgão barroco, com seus mais de 3 mil tubos, e que funciona ate hoje quando realizam concertos de música sacra na capela. Confesso que tive dificuldade em localizar o instrumento imaginando-o algo do tamanho de um piano, qual não foi a minha surpresa ao me deparar com um algo de mais de 3 metros de altura e repleto de ornamentos.
O clima de final de período letivo era latente nos estudantes, e contagiados tocamos um violãozinho numa das escadarias da universidade, lembrando nossos tempos de universitários.
Saindo da Universidade passeamos pelas estreitas ruas em direção à margem do rio, passamos pelo Arco Torre de Almeidinha que foi uma parte das muralhas mourisca durante o período medieval e que é, hoje, a principal entrada para a parte alta da cidade.
A chegada à margem do rio foi brindada com alguns Imperiais enquanto assistíamos perplexos um final de tarde dourado.
Deixamos Portugal, em direção à Espanha, com um aperto no coração e uma sensação de quero mais.
Dia 16 dez 2009
Na noite anterior, bebemos e conversamos até a madrugada, risadas regadas a vinho, bacalhau e historias portuguesas de nossos amigos Douglas e Jussara, de madrugada a temperatura chegou a dois graus negativos daí pode-se imaginar a dificuldade que tivemos para acordar.

Decidimos viajar de carro para pequenas freguesias (vilarejos), e a trilha sonora escolhida não podia ser diferente, CDs de guitarras portuguesas. O cenário se transformando à medida que deixávamos Aveiro e caminhávamos para as antigas aldeias. A vegetação às margens da estrada vicinal apresentava uma textura singular: árvores vermelhas, amarelas, algumas secas outras com folhas a voar. Somente ao deparamos com uma cachoeira congelada na estrada pudemos imaginar que a temperatura fora do carro estaria próxima à 10 graus negativos. Para “brazucas”, é inevitável a ansiedade de ver neve....Subimos a Serra da Estrela com muita neblina e um cenário inesquecível: pedras e vegetação rasteira se intercalavam com as tais arvores vermelhas e outras completamente desfolhadas... uma visão cinematográfica. Paramos em Torres, o ponto mais alto de Portugal, debaixo de muita neve (enfim a encontramos) e neblina, o tempo entre sairmos do carro e o centro comercial turístico foi suficiente para deixar-nos congelados. Comemos queijo de cabra e tomamos algo para esquentar o corpo. Voltamos à estrada dirigindo a 20 km por hora devido a baixíssima visibilidade.




As cidades de Vizeu, Covilhã e Guarda foram um aquecimento antes de chegarmos ao ponto alto do passeio: Monsanto, ou Mons Sanctus em romano, que foram os colonizadores do local. Monsanto fica a 760 metros de altitude e detém uma posição estratégica de defesa, é considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal, pois nunca foi dominada por outro povo.
Estando lá é difícil não se imaginar na era medieval, pois todas as casas são construídas com pedras, ou melhor granito da própria região. Algumas casas estão incrustadas nos grandes rochedos se adaptando de forma harmônica á natureza. Lá, literalmente, resta pedra sobre pedra. A população vive ainda hoje da mesma maneira que seus tatatatataravós... as ladeiras, também de granito acinzentados, conferiam ao local uma sensação de viagem no tempo. O frio intenso deixou-nos quase que sozinhos a caminhar pelas ruas, e os poucos habitantes não se arriscavam a colocar o nariz para fora de suas casas. Quando o tremor dos ossos ficou maior que a vontade de explorar os monumentos de pedra, decidimos entrar num restaurante local. No seu interior aquecido, similar a uma taberna, pudemos comer alguns pratos típicos da região como lula regada a azeite bruto e burrego assado. Nas paredes de pedra estavam registradas muitas impressões de pessoas importantes sobre Monsanto. Saramago disse “De pedra julgava o viajante saber tudo, não o digas quem nunca esteve em Monsanto”
O bom vinho da casa, em jarra, e uma sopa de legumes foram a entrada que nos permitiu chegar a temperatura normal novamente. Ao experimentarmos os pratos, a Dani disse ter descobrido que não poderia mais dizer que gosta de algum coisa antes de experimentar pois tudo aqui tem sabor totalmente diferente de tudo que já experimentei. Adorei a Lula, o carneiro, o vinho, enfim tudo... realmente um almoço inesquecível... Para completar, um passeio pelo banheiro do restaurante nos mostrou uma monumental pedra que servia de parede revelou uma harmoniosa coexistência entre forma e função. Foi difícil deixar aquele local mágico e quente, mas saciados, queríamos voltar à exploração.
A fria e fina chuva que caia deixava o piso escorregadio e tivemos de ser cautelosos em nosso derradeiro tour pela aldeia. Uma visita rápida às ruínas do Castelo e nos despedimos da era medieval.
Em clima de despedida, terminamos a noite com uma bela sopa quente na casa de nossos anfitriões.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Aveiro e Porto - dia 14 e 15 Dez 2009

Dia 14 dez 2009 – chegamos em Aveiro a beira mar e como dizem aqui....Abeiro a Veira mar.
Fomos recepcionados pelos nossos amigos brasileiros, Douglas e Jussara, cuja hospitalidade e carinho vamos ficar devendo para o resto da vida. Turnê pela cidade, compras, jantar caseiro com direito a bacalhau e garrafas de vinhos maravilhosos. Da parte deles, além do sorriso, a saudade do Brasil.
Aveiro é uma cidade litorânea cortada por canais repletos de barcos Moliceiros (são assim chamados porque antigamente estes canoeiros costumam recolher moliços – uma espécie de alga que ficava na superfície da água para fazer adubo-). Aveiro é também conhecida como a Veneza portuguesa, seus pratos típicos são Ovos moles e queijo de Ovelha.
Dia 15 dez 2009 – Fomos a cidade do Porto de trem acompanhados de nossa amiga Jussara. A cidade impressionou-nos pelas construções antigas e pela disposição do Rio Douro em meio a duas encostas. A citi-tur nos revelou muitas curiosidades sobre a cidade, como as guerras que lã passaram e a vida boemia que ali aconteceu.
O sol nos presenteou com sua presença e pudemos passear pelo rio com um Rabelo – barco que antigamente era usado para transportar barris de vinho do porto. Após o passeio, fez-se obrigatório almoçar á beira do rio. Tomamos alguns imperiais (chopes), algumas doses de vinho do Porto e comemos francesinhas – uma espécie de croque português. Retornamos a citi-tur passando pelas caves de vinho do Porto com direito a passeio pelas companhias produtoras e degustação. Dentre as várias vinícolas, escolhemos a Cave Croft. Lá descobrimos que o processo de fabricação do vinho do porto distingui-se dos vinhos normais devido a adição de conhaque durante o processo de fermentação e de aguardente de vinho ao final, o que interrompe a fermentação e o deixa com um sabor forte, marcante e adocicado. De tempos em tempos, fatores como terra, variações de temperatura, produzem uma safra considerada espetacular, nestes anos o vinho é declarado um Vintage e é muito procurado pelos apreciadores. Infelizmente, isto apenas acontece duas ou três vezes a cada 10 anos. Após alguns cálices deste vinho na cidade do Porto é quase impossível discordar do fundador da Cave Croft que, num momento de lucidez disse: Qualquer tempo que não estejamos bebendo vinho do Porto, é um tempo desperdiçado. Final da viagem passamos pela bela e antiga livraria Lello, com sua arquitetura e história fascinantes.
Ãntonh....Ou seja então nas palavras de nosso amigo Douglas com seu sotaque aportuguesado, voltamos para Aveiro e jantamos uma comidinha brasileira para matar as saudades da terrinha, rimos a noite inteira com as histórias de nosso amigo nas terras de Camões.

domingo, 13 de dezembro de 2009

13-12-09 - Sintra - Portugal

Sintra – Vila Enfeitiçada perdida no tempo...


Quando a Serra se une ao Mar, nasce um paraíso no Mundo que tem, a alma repleta pela plenitude do azul do céu e o espírito vestido pela natureza que reflete os encantos selvagens de um verde profundamente intenso...

Salpicado pelo cântico das aves e testemunha de histórias encantadas, é o cenário perfeito para viver um sonho... e fazer um passeio inesquecível ...

Testemunhe histórias mágicas vividas outrora e decoradas por poetas no Palácio da Vila...

Deslumbre a paisagem inigualável ao cimo da encosta e sinta parte de nossa História no Castelo dos Mouros...

Reviva momentos presentes no nosso imaginário quando vagueia pelos jardins e experimente ser um personagem real quando percorrer o Palácio da Pena ...

Termine esta viagem sentindo uma mistura de cheiros e aromas deixando-se levar até o local das tradicionais queijadas de Sintra...

E antes de acordar... olhe para trás e recorde-se que conosco foi bom sonhar...



Ao lermos a sinopse do passeio à Sintra acima, fiquei empolgada, embora, confesso que supus estarem exagerando para atrair turistas para a região, qual não foi a surpresa ao constatar que eles foram na verdade modestos ao descrever a cidade.......

O sitio – como dizem aqui em Portugal, quase um vilarejo, repleto de mansões e palácios parece ter sido palco dos contos fadas de nossa infância, começando pela torre do castelo da Rapunzel e chegando às florestas sombrias de um filme do Drácula. As suas misteriosas brumas, quedas d’água e a exuberante vegetação dão a impressão que o lugar tem qualquer coisa mágica, o que seguramente contribuiu para que Sintra fosse um lugar atrativo já para os celtas que a chamaram de Monte da Lua.

O ápice do passeio foi a visita à QUINTA DA REGALEIRA, um palácio com diferentes estilos arquitetônicos misturados: gótico, medieval , salpicados de romantismo em seus belos jardins. O ar impregnado de mistério com elementos enigmáticos, esotéricos, magia oculta e simbologia templária. Pelos tortuosos caminhos de pedra e em meio aos jardins com espécies variadas, surpresa nos aguardavam a todo instante: Grutas mágicas, poços, lagos que refletiam as árvores como se fosse um espelho de cristal. E o ponto alto.... o POÇO INICIÁTICO, com uma escada em espiral de nove andares solidamente construída à base de arcadas de pedra, pela qual descemos 30 metros, como se fóssemos chegar ao centro da terra.. A forte energia do lugar traz-nos uma emoção de fazer tremer... no fundo do poço encontramos labirintos e grutas que nos levavam para o exterior do jardim. A textura das paredes de pedras lembravam crânios, por um momento pensei poder encontrar o Indiana Jones na gruta seguinte..rsrsr... Tenho certeza que Spielberg passou por aqui antes de fazer o filme. O responsável pela construção do Quinta das Regaleiras enriqueceu-se com os tesouros do Brasil, como madeira e café, e em 1900 contratou o arquiteto e cenógrafo italiano Luigi Manini, que o projetou inspirando-se no eclético Palácio da Pena (também visitamos e falarei dele mais tarde).


Nas palavras de Glauber Rocha “ Sintra é um belo lugar para morrer”

De lá fomos para o PALÁCIO NACIONAL DA PENA, na parte superior do Parque, o qual pode ser observado de longe, com suas cores rosa e amarelo lembrando um castelo medieval com múltiplos estilos: gótico, bizantino e renascentista. Sabe-se que a família real viveu La até 1910, quando foi proclamada a república portuguesa e a monarquia abolida.

Em seu interior pudemos conhecer todos os detalhes cotidianos da vida do reinado pois cada cômodo foi cuidadosamente conservado preservando os objetos pessoais,o que nos proporciona uma mágica viagem ao tempo e nos faz sentir um pouco da sensação da vida em um palácio.



Muitos degraus acima e pulmões abaixo sentimos o verdadeiro ar gelado e úmido de Sintra ao alcançarmos as Ruínas das muralhas do CASTELO DOS MOUROS, o qual foi construído no século VIII, e é um belo exemplo da arquitetura militar muçulmana. Conta-se que durante o terremoto de 1755 boa parte da muralha e da capela o que restava do velho castelo ruíram. Porém no séc. XIX a muralha foi restaurada , sendo que é perceptível a diferença no tipo de construção da base da muralha em relação ao topo, onde pedras foram assentadas de maneira mais irregular. A escadaria que dá acesso à torre central - onde o rei gostava de ir pintar seus quadros- é longa e durante o trajeto o vento gelado vindo do mar atravessava com facilidade as várias camadas de casacos, blusas de lã e cachecol, chegando aos ossos... A esta altura, o cansaço da caminhada, afinal havíamos subido mais de mil degraus, fez-nos pensar na hipótese de ficar por lá mesmo, dormir no quarto do rei.



Resignados e congelados descemos ao centro histórico e nos aquecemos tomando uma garrafa de vinho numa adega de caves acompanhado da boa comida e de um Travesseiro (doce típico da cidade).






12-12-09 - Lisboa - Portugal



Ninguém passa incólume por uma esbornia etílica lisbonense, acordamos tarde e com a cabeça pulsando mais que um pandeiro na mão do Tata (nosso professor de percussão) saímos a explorar Lisboa.


Um café amargo para ajudar e a cidade a descobrir, desta vez nos valemos do Autobus turístico – sightseeing, uma ótima opção para ver vários pontos turísticos de forma rápida e com a explicação do guia. Vimos inúmeros monumentos, construções antigas e fachadas plenas em azulejos. O terremoto de 1755, que vitimou 35 mil dos 250 mil habitantes da época, era constantemente mencionado nas explicações do guia pois,muito da atual arquitetura foi influenciada pelo acontecido. A tragédia, a maior de Portugal, e uma das maiores do continente, persiste no imaginário português.

Paramos na Torre de Belém explorar a bela construção assim como o Monumento aos Exploradores e no Mosteiro de São Jerônimo, com seu altar de ouro oriundo do Brasil.

Após caminhar pelos arredores fomos parar na Alfama, bairro tradicional da boemia portuguesa onde respira-se o aroma de azeite em suas tortuosas ruas e becos. Nos aventuramos em suas ladeiras íngremes e pouco iluminadas e nos deliciamos com o visual inusitado de roupas estendidas em varandas estreitas.


Os restaurantes de Fado disputavam os clientes oferecendo variados pratos e cantantes de fado renomados. Em meio a este cenário tradicional tivemos a grata surpresa de encontrar um lugar esplendido: Um mirante, em frente ao Tejo, com sofás bem dispostos nos permitiam desfrutar do visual ao som de uma musica lounge e um bom imperial (chope português).

Voltamos ao tradicional para saciar nossa fome de história, escolhemos o restaurante Fado Maior, onde fomos acolhidos por um simpático casal de velhinhos e ouvimos um fado com raiz, ao silencio absoluto da platéia que deixava o bacalhau esfriar no prato mas não desrespeitava a tradição. Perguntamo-nos donde viria tanta tristeza a ser tão belamente cantada e a reposta, imaginamos, pode ser o tal terremoto.

Deixamos Alfama no início da madrugada e como já nos estávamos enfeitiçados pela noite lisbonense esquecemos o caminho do hostel e nos vimos envoltos em centenas de pessoas trafegando pelas ruas do Bairro Alto.

Diante de tantas opções do local, escolhemos um charmoso bar suíço chamado HEIDE, a decoração recheadas de veados (com E) pela parede remontava às colinas suíças. O dono,

Sinny, era a simpatia em pessoa, e um animado DJ abastecia-nos com o bom rock inglês dos anos 80. Entre um chope e outro tomamos uma bebida típica chamada Jager que devia ser entornada num gole ao toque de um sino.

Dada a necessidade de acordar cedo, conseguimos deixar o local ás três da madrugada, não sem antes passar em outros bares com musica jamaicana e brasileira. Haja brasileiro em Portugal, parodiando a musica do Chico que diz como diz a musica: isto aqui ainda vai ser um grande Brasil.
11-12-2009




Chegamos a Lisboa moído pelo cansaço da viagem, mas ansiosos para o começo das férias, não tínhamos grandes expectativas com Lisboa, e acabamos tendo ótimas surpresas.

De cara, o hostel que havíamos reservado se mostrou uma grata surpresa, localizado no centro velho de Lisboa, num bulevar magnífico, cheio de restaurantes com as cadeiras do lado de fora; tendo os atendentes muito atenciosos. Uma destes, uma portuguesa simpática que passou uns tempos no Brasil, mais precisamente em Minas e que guarda hilárias histórias desta passagem.

Interessante como a gente descobre um pais, ou o seu jeito de ser ao observar pequenos detalhes, por exemplo, almoçávamos no referido boulevar quando fomos surpreendidos com uma viatura caminhando pelo mesmo. Ao que sua sirene tocava, os donos de restaurantes tinham que recolher algumas cadeiras para possibilitar a passagem do veiculo. A viatura parou poucos metros de onde estávamos. Os dois policiais que desceram encontraram o dono do hotel os aguardando e gesticulando muito, falava rapidamente de forma que não pudemos entender do que se tratava, imaginamos que acontecera algum barraco: briga com hospede, roubo, sabe-se La o que. Após alguns instantes, os policiais, descem, abrem a Viatura, retiram algumas ferramentas, abrem uma caixa de inspeção na rua e começam o conserto do encanamento. Era um chamado para atendimento do sistema de saneamento, que por acaso e publico cujos profissionais trabalham com viatura e vestido muito similarmente a policiais. Oras, pois, como iríamos imaginar uma coisa desta.....

A noite Lisbonense começou tomando ginginha (um típico licor português) num boteco tradicional. Depois numa casa especializada em fado localizada no Bairro alto, nos emocionamos com varias apresentações de artistas. Foi muito emocionante.

Saímos do Luso (casa de fado) por volta de meia-noite pensando em voltar para o hostel e dormir, ledo engano. Na saída percebemos que as coisas haviam mudado, as ruas estavam completamente tomadas por pessoas de todos os tipos. Os desatinados de Lisboa começam a noite depois das 11:oo h.

Fomos levados pelo fluxo de gente e pelo acaso para uma casa com musica ao vivo, com um bom Imperial (chope) e muita agitação. O gaio que tocava e cantava era brasileiro, de Minas e percebendo que éramos patrícios, nos tratou com deferência, oferencendo o violão para que eu tocasse algo, interessante isto pois em nenhum momento eu falei a ele que tocava algo.

Toquei duas musicas para uma platéia ensandecida, e passamos o resto da noite bebendo e dançando ao som da boa musica do Leo de Minas.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Domingão - Vai Vai

Domingo: Ensaio da Escola de Samba Vai Vai:


Domingo que tinha tudo para ser preguiçoso, o tempo fechado nos instigava uma comidinha em casa com uma, ou duas, boas garrafas de vinho. Mas o desatino da vida é a sua imprevisibilidade, fomos almoçar no restaurante goiana com nosso amigo Du. Comida boa, mas bem pesada, ou seja: hard goiana food.

Rancho Goiano


Endereço: Rua Rocha, 112 - Bela Vista - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3289-5146
Horário: Das 12h às 1h (dom. até 0h; fecha seg.)
Site Oficial: http://www.ranchogoiano.com.br


Deixamos para fazer a digestão andando pelas ruas do Bixiga, vendo o cenário se armar para o ensaio da escola de Samba, sem saber já estavamos no local da muvuca e nem pagamos para entrar!!!!!

Conhecemos a Lourdes e o Amorim, duas pessoas incríveis, donos de um bar dentro da área do ensaio e que, no caso o Amorim - um baiano apaulistado - teve um bar na Rua Agusta onde passaram grandes interpretes como Djavan, Almir Guineto, etc. Ele nos confessou que foi da boemia, mas agora está devagar... "Lourdes é que continua do balacobaco...

O cumpadi joga essa mulher no lixo

Ela fuma, ela bebe, ela joga no bicho

Ela fuma, ela bebe, ela joga no bicho


Trabalha que nem cavalo, não para nem pra almoçar

Quando leva uma caçarola é um trêm ruim de amargar

Faz de tudo e economiza só pra não gastar dinheiro

Mas boa parte do que ganhar ela joga

Se assanha e fica na mão do bicheiro"

Assitimos o ensaio da banda mirim do Bixiga, e ainda tivemos a oportunidade de conhecer o Mestre Tadeu, responsável pela bateria da Escola, haja resposanbilidade, não é a toa a sua cara de bravo!

O som dos tambores veio soando aos poucos, interrompia, alguns ajustes e derepente ecoa com toda a sua força. Impossível se conter, os ossos vibravam na celere frequencia do tamborim; o coração, na do surdo; as retinas sedentas tentavam, em vão, registrar o máximo de detalhes, missão impossível diante da compelxidade da cena. Pessoas de todos tipos: putas, delegados, traficantes, porteiros, engenheiros, advogados, arquitetos, bicheiros, musicos, ou seja gente, gente.

Aparentemente, Mestre Tadeu,conduzia o ensaio até com alguma displicência, como se os muitos de anos de samba tivessem reduzido o seu senso crítico, quando derepente interrompia a musica para dar um esporro num repique desatento, num tamborim desapurado ou num chacoalho desorientado. Ele mostrava ao incauto, como devia fazer e voltava para sua posição de comando. Um maestro!

A gente, eu, o Du e a Dani, bebendo Itaipava como se fosse Skol, cantando o samba da Vai, vai e literalmente vibrando com o som.

Pra fechar o dia, esfirras e chope no Imigrantes!!!!

Desatinos de Sampa.



Bota Fora

Final de Semana - Bota Fora e Comemoração do Níver do Dú....

Este final de semana foi de bota fora e comemoração do aniversário do Dú. Já começamos a sexta-feira debaixo de uma garoa fina, rodando de loja em loja pela Florêncio de Abreu na missão "compras de última hora" à busca de mochilas leves e resistentes, sapatos à prova de umidade, etc.







Conseguimos terminar à tempo de comer um filezinho no Marajá (Rua Martins Fontes, 153 - Centro-São Paulo)

e correr para o Sesc Paulista para assitir à peça "Escuta Zé Mané" com Pereiro e Cia. Publico pequeno e antenado, com escritores e atores aplaudiram entusiasmados os devaneios criativos de um sujeito atormentado pelos seus ''eus''
O texto, inspirado em "Listen, Little Man!", do psiquiatra austríaco Wilhelm Reich (famoso por ideias libertárias em relação ao sexo, a sentimentos e à política), foi adaptado e transfigurado pelo próprio Peréio. "O que eu quis foi popularizar o Reich. Trazê-lo para perto das pessoas e de questões cotidianas. Também quis mostrar seu lado mais político, que é o que pouca gente conhece, não é?" ponto de partida do espetáculo é uma simples palestra, ministrada por um híbrido Peréio/Reich. A partir de determinado ponto, Peréio/ Reich começa a ser assombrado pelos seus outros "eus": o masculino, interpretado por João Velho (filho de Peréio), e o feminino, papel assumido pela atriz Neca Zarvos. Assim, Peréio/Reich constrói pontes entre o psiquiatra, o ator e a história brasileira dos últimos 50 anos.

O espetáculo é dirigido por Lenerson Polonini. "É um privilégio dirigir um ator como o Peréio. Ele tem uma coisa performática muito forte. Diferente do que muita gente pode pensar, Peréio não é arredio à direção. Ele escuta, discute e está aberto a sugestões. Mas tem uma coisa, no caso de um ator com a experiência dele: a gente não tem que mexer muito. Tem que deixar solto, se mexer estraga", brinca. As informações são do Jornal da Tarde.

Escuta, Zé Mané! - Sesc Paulista: Avenida Paulista, 119. Tel. (011) 3179-3700. Desta sexta, 23, até 29 de novembro. Sexta a domingo, às 21h. Ingressos: R$ 20. 16 anos.
















Depois da peça fomos tomar um vinho na Batataria Santa Clara. Quem não conhece precisa ir, uma batata rosti muito gostosa ao som de um piano e baixo, com bons vinhos e uma galera charmosa.

Rua Aurea, 361 - Vila Mariana site: http://www.batataria.com.br/
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SÁBADO fomos ao Sesc Pompéia assistir ao show do Funk como le Gusta, com Manu, Marina, Sérgio e Déborah. O ritmo envolvente dos instrumentistas mestres, com muito metal... quem sabe um dia eu consiga tocar 1% do sax que ouvi hoje.













Depois do Show fomos comemorar o Níver do Dú no Bar Tubaína na Hadock Lobo, 74 . Essa foi uma descoberta recente e já ficamos assíduos. Galera alegre, garçons simpáticos que já viraram amigos. drinks inovadores com Tubaína, e comidinhas bem diferentes, como a deliciosa coxinha de feijão. http://www.tubainabar.com.br/