Desatinos

O Desatino do nome vem balancear o Tino que nós, em geral, somos obrigados a ter em nosso trabalho, em nossos compromissos, enfim, em nossa vida. Convidamos quem quiser, que venha desatinar conosco, dando palpites e sugestões, acompanhando-nos em nossos desatinos pela vida. A vida é uma eterna encruzilhada entre o tino e o desatino, as vezes agente tem que fazer tal qual a moça da música do Chico Buarque:

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando ...

domingo, 13 de dezembro de 2009

13-12-09 - Sintra - Portugal

Sintra – Vila Enfeitiçada perdida no tempo...


Quando a Serra se une ao Mar, nasce um paraíso no Mundo que tem, a alma repleta pela plenitude do azul do céu e o espírito vestido pela natureza que reflete os encantos selvagens de um verde profundamente intenso...

Salpicado pelo cântico das aves e testemunha de histórias encantadas, é o cenário perfeito para viver um sonho... e fazer um passeio inesquecível ...

Testemunhe histórias mágicas vividas outrora e decoradas por poetas no Palácio da Vila...

Deslumbre a paisagem inigualável ao cimo da encosta e sinta parte de nossa História no Castelo dos Mouros...

Reviva momentos presentes no nosso imaginário quando vagueia pelos jardins e experimente ser um personagem real quando percorrer o Palácio da Pena ...

Termine esta viagem sentindo uma mistura de cheiros e aromas deixando-se levar até o local das tradicionais queijadas de Sintra...

E antes de acordar... olhe para trás e recorde-se que conosco foi bom sonhar...



Ao lermos a sinopse do passeio à Sintra acima, fiquei empolgada, embora, confesso que supus estarem exagerando para atrair turistas para a região, qual não foi a surpresa ao constatar que eles foram na verdade modestos ao descrever a cidade.......

O sitio – como dizem aqui em Portugal, quase um vilarejo, repleto de mansões e palácios parece ter sido palco dos contos fadas de nossa infância, começando pela torre do castelo da Rapunzel e chegando às florestas sombrias de um filme do Drácula. As suas misteriosas brumas, quedas d’água e a exuberante vegetação dão a impressão que o lugar tem qualquer coisa mágica, o que seguramente contribuiu para que Sintra fosse um lugar atrativo já para os celtas que a chamaram de Monte da Lua.

O ápice do passeio foi a visita à QUINTA DA REGALEIRA, um palácio com diferentes estilos arquitetônicos misturados: gótico, medieval , salpicados de romantismo em seus belos jardins. O ar impregnado de mistério com elementos enigmáticos, esotéricos, magia oculta e simbologia templária. Pelos tortuosos caminhos de pedra e em meio aos jardins com espécies variadas, surpresa nos aguardavam a todo instante: Grutas mágicas, poços, lagos que refletiam as árvores como se fosse um espelho de cristal. E o ponto alto.... o POÇO INICIÁTICO, com uma escada em espiral de nove andares solidamente construída à base de arcadas de pedra, pela qual descemos 30 metros, como se fóssemos chegar ao centro da terra.. A forte energia do lugar traz-nos uma emoção de fazer tremer... no fundo do poço encontramos labirintos e grutas que nos levavam para o exterior do jardim. A textura das paredes de pedras lembravam crânios, por um momento pensei poder encontrar o Indiana Jones na gruta seguinte..rsrsr... Tenho certeza que Spielberg passou por aqui antes de fazer o filme. O responsável pela construção do Quinta das Regaleiras enriqueceu-se com os tesouros do Brasil, como madeira e café, e em 1900 contratou o arquiteto e cenógrafo italiano Luigi Manini, que o projetou inspirando-se no eclético Palácio da Pena (também visitamos e falarei dele mais tarde).


Nas palavras de Glauber Rocha “ Sintra é um belo lugar para morrer”

De lá fomos para o PALÁCIO NACIONAL DA PENA, na parte superior do Parque, o qual pode ser observado de longe, com suas cores rosa e amarelo lembrando um castelo medieval com múltiplos estilos: gótico, bizantino e renascentista. Sabe-se que a família real viveu La até 1910, quando foi proclamada a república portuguesa e a monarquia abolida.

Em seu interior pudemos conhecer todos os detalhes cotidianos da vida do reinado pois cada cômodo foi cuidadosamente conservado preservando os objetos pessoais,o que nos proporciona uma mágica viagem ao tempo e nos faz sentir um pouco da sensação da vida em um palácio.



Muitos degraus acima e pulmões abaixo sentimos o verdadeiro ar gelado e úmido de Sintra ao alcançarmos as Ruínas das muralhas do CASTELO DOS MOUROS, o qual foi construído no século VIII, e é um belo exemplo da arquitetura militar muçulmana. Conta-se que durante o terremoto de 1755 boa parte da muralha e da capela o que restava do velho castelo ruíram. Porém no séc. XIX a muralha foi restaurada , sendo que é perceptível a diferença no tipo de construção da base da muralha em relação ao topo, onde pedras foram assentadas de maneira mais irregular. A escadaria que dá acesso à torre central - onde o rei gostava de ir pintar seus quadros- é longa e durante o trajeto o vento gelado vindo do mar atravessava com facilidade as várias camadas de casacos, blusas de lã e cachecol, chegando aos ossos... A esta altura, o cansaço da caminhada, afinal havíamos subido mais de mil degraus, fez-nos pensar na hipótese de ficar por lá mesmo, dormir no quarto do rei.



Resignados e congelados descemos ao centro histórico e nos aquecemos tomando uma garrafa de vinho numa adega de caves acompanhado da boa comida e de um Travesseiro (doce típico da cidade).






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